Crise se combate com atitude!

Atuo como consultor financeiro e contábil há alguns anos e tenho acompanhado a realidade de empresas de diversos segmentos em vários momentos da economia, tanto em épocas de “vacas gordas” como em “vacas magras”. Segundo a mídia e analistas de mercado, estamos em épocas de vacas “anoréxicas”, com demissões em massa, e o que parecia uma marolinha se transformou num furacão. Nesse cenário de “Welcome Crise” percebo que se surgem dois perfis de empresários:  aqueles que  descapitalizam e aqueles que capitalizam.

Os descapitalizadores geralmente são empresários que em épocas de bonança não fizeram reservas financeiras, preferiram investir em patrimônio pessoal, mas não na empresa. São aqueles que distribuíram lucros, construíram mansões e compraram carros de luxo para toda família. Neste momento, esses empresários reclamam muito pela falta de crédito, taxas de juros altas e pelo mercado não comprador. Estão inadimplentes com fornecedores e não têm pagado os impostos.

A contabilidade dessas empresas certamente está desatualizada, seus gestores vivem de mau humor e “judiciosamente” colocam a culpa em todos, desde funcionários até nos EUA. Entre as decisões tomadas por eles, estão a demissão de funcionários-chave, a compra de matéria-prima inferior e a queda na qualidade do serviço (para baixar o preço de venda), além dos cortes de todos os investimentos em produção, tecnologia, treinamentos e novos produtos. Para estes a crise é real e chegou para valer!

Felizmente, em contrapartida, temos empresários que capitalizam com a crise.  Eles sabem que no mundo globalizado haverá picos e baixas, por isso, nas fases boas, fizeram reservas financeiras. Esses não confundem o caixa da empresa com pessoal e levam as contas em dia.  São “malucos” pela contabilidade e dão valor aos fechamentos mensais. Para esses empreendedores, a informação vale mais que dinheiro.

Atualmente, os capitalizadores investem em consultorias especializadas que tragam soluções inteligentes em redução de custos e informação gerencial, estabelecem metas para toda empresa e premiam aqueles que se sobressaem. Em fases como essa, aproveitam para comprar com descontos, negociam prazos melhores, contratam novos talentos, e aproveitam para demitir aqueles que não trazem resultados.

Em resumo, eles estão capitalizando. Não gastam energia com reclamações, apenas ignoram a crise e vão trabalhar. Sorte do nosso país, onde existem empresários que sabem que o melhor remédio para crise é a boa gestão, o otimismo e principalmente a atitude.

Por Moacir Vieria, consultor, formado em Contabilidade pela UEL com  especializações em Controladoria pela PUC e Consultoria pela UFPR e com MBA em BSC – Balanced Scorecard pela FGV.