A Fênix dos Demonstrativos Financeiros e Contábeis

A elaboração dos demonstrativos financeiros e contábeis sofreu alterações significativas, motivas pela adoção dos princípios europeus adotadas pela legislação brasileira, mas sua interpretação merece exaustivos estudos e entendimentos para que sua adequação seja mais transparente principalmente para o profissional brasileiro que sofre com uma educação descontinuada e enfraquecida ao longo do tempo.

A simples mudança onde à mesma fere determinados princípios de contabilidade geralmente aceitos na cultura brasileira, merece no mínimo um estudo mais realista e principalmente mais adequado à pífia cultura do profissional brasileiro, que não se preparou para esse momento, e que lamentávelmente não estava preparado para o futuro de sua profissão.

A mudança implica no mínimo em novo entendimento do profissional e principalmente dos gestores empresariais, cuja cultura não convencional não de coaduna com a exigência da transparência do novo modelo, não somente pela alteração legal, mas principalmente pela necessidade de conhecer com mais maestria a importância de um controle interno, de um planejamento empresarial e de um diagnóstico empresarial que possam refletir com veracidade junto ao setor de contabilidade, setor fiscal, setor de pessoal e principalmente o setor social, onde esse conjunto analisado poderá resultar no estudo da viabilidade econômica e sustentabilidade da atividade de qualquer empreendimento.

Muitos empreendimentos ficarão na história motivada pelo alcance não só da Crise Financeira, mas principalmente pela culpabilidade dos gestores em não identificar em tempo hábil e legal a necessidade de mudança através de um processo decisório na troca ou busca de profissionais mais antenados com o mercado e principalmente com as inovações seja tecnológicas, tributárias, comerciais, administrativas, econômica, financeira, marketing, criativa e demais fatos que possam agregar valor à gestão empresarial.

Hoje a manutenção do continuísmo e sustentabilidade de qualquer empreendimento está diretamente ligada à competência qualitativa dos profissionais envolvidos na gestão empresarial, principalmente daqueles que labutam diariamente com os fatos e atos mensuráveis e registráveis em sistema eletrônico que possam através de seus relatórios contribuírem com sugestões positivas para a manutenção e futuro previsível do empreendimento.

É plausível que os demonstrativos citados demonstrem a necessidade de um acirrado controle interno com os fatos emanados da gestão empresarial, possibilitando com isso uma maior sinergia e interação com a gestão empresarial, mesmo que os resultados deprimam seus integrantes, mas a verdade é à base de uma reconstrução cultural.

Com as inovações motivadas pelos princípios da IFRS na Lei No. 11.638/2007, sobre a adequação dos demonstrativos contábeis e financeiros, relacionamos alguns assuntos sem que o mesmo seja estanque, onde apresentamos a seguir uma relação dos assuntos geralmente tratados nos citados demonstrativos, sem que seja uma relação exaustiva e sem que implique a sua aplicação em todos os casos:

a) Analisar a descrição na natureza e atividade da entidade econômica, buscando a sua regularidade fiscal, tributária, previdenciária, trabalhista e social;

b) Identificar principais normas, práticas aplicadas e princípios contábeis, observados pela contabilidade no sistema contábil para a preparação dos demonstrativos financeiros;

c) Método de conversão utilizado, no ato da comparação do quadro demonstrativo anual;

d) Método de reconhecimento de receitas, despesas, lucros etc.;

e) Base de conversão dos saldos existentes;

f) Base de avaliação dos itens do ativo seja inventário, investimentos a curto e longo prazo, investimentos em subsidiárias, filiais, propriedades, instalações e equipamentos;

g) Método de avaliação dos ajustes indicando o método utilizado, contas afetadas e as razões que deram sua origem;

h) Método de atualização e capitalização de créditos e débitos existentes;

i) Discriminação dos itens que compõem os encargos financeiros e sua contabilização em sistema próprio de avaliação;

j) Critérios de reajustes das demonstrações financeiras indicando sua base de avaliação;

k) Demonstrativos de ativos e passivos sob risco cambial face ao endividamento existente;

l) Indenficar a natureza e montante das transações financeiras existentes;

m) Identificar os critérios e montante das depreciações, exaustão e amortizações existentes;

n) Informar ônus sobre bens da entidade;

o) Ativos que não sejam de livre disponibilidade;

p) Se há restrições dos lucros retidos ou reservas;

q) Informar a existência de passivos contingenciais (avais, garantias, demandas, litígios etc.);

r) Compromissos adquiridos;

s) Informação das alterações de princípios ou estimativas contábeis e efeitos dos mesmos no exercício atual e nos anteriores, indicando as contas afetadas;

t) Descrição, montante e tratamento contábil de rubricas não usuais e de períodos anteriores;

u) Ajustes contábeis e tratamento contábil de rubricas não usuais e de períodos anteriores;

v) Montante de impostos, taxas, ônus encargos sociais e devidas vencidas e não pagas atualizadas monetariamente;

Ressaltamos a seguir a necessidade de aplicação metodológica na obtenção dos melhores indicadores financeiros para a análise e avaliação de sua empresa, mas esses indicadores só terão serventia se a base de dados contidas nos relatórios e demonstrativos financeiros estiverem eivados de transparência.

a) Liquidez Corrente;

b) Liquidez Geral;

c) Margem Operacional;

d) Margem Líquida;

e) Composição do Endividamento;

f) Rentabilidade do PL;

g) Rentabilidade do Ativo;

h) Pay-Out;

i) Elaboração do Ebitda.

Se não houver uma mudança de mentalidade dos gestores com a busca de um comprometimento com uma nova filosofia gerencial não haverá condições técnicas e contábeis da implantação de transparecia nos demonstrativos, podendo comprometer todo ciclo em que tenha como base a sustentabilidade e continuidade do empreendimento.

E faltamente a FÊNIX poderá surgir com resultados que podem comprometer negativamente toda a economia, demonstrando que a crise financeira acontecida é apenas um aperitivo do que poderá no futuro vir a acontecer.

ELENITO ELIAS DA COSTA

Contador, Auditor, Analista Econômico e Financeiro, Instrutor de Cursos do SEBRAE/CDL/CRC, Professor Universitário, Professor Universitário Avaliador do MEC/INEP do Curso de Bacharelado em Ciências Contábeis, Consultor do Portal da Classe Contábil, da Revista Netlegis, articulista do Interfisco, do IBRACON – Instituto dos Auditores Independentes do Brasil (Boletim No. 320), autor de vários textos científicos registrados no Instituto de Contabilidade do Brasil, autor de artigos publicados na Revista CTOC em Portugal, sócio da empresa IRMÃOS EMPREENDIMENTOS CONTÁBEIS S/C LTDA. E-mail: elenitoeliasdacosta@gmail.com